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24.7.14

De regresso a era d’Ouro


Desculpem-me pelo atraso na publicação do texto aqui no blog, contudo para quem não leu a revista, cá vai.

Realizou-se nos dias 26, 27 e 28 de Junho mais uma edição do Angola Fashion Week no Centro Recreativo Paz Flor. Esta 14ª edição com o tema Diamante angolano, brindou os amantes da moda angolana com o melhor que há da moda no país.

Texto: Jurema Ramos
www.aspiracaodosublime.blogspot.com

Fotos: Angola Fashion Week (facebook page)
           PlatinaLine
           Nelson Silvestre (ph)

23.7.14

Dez razões para a moda em Angola não crescer como se espera


Os fazedores de moda em Angola lutam pela cultura da moda no país, na medida do possível. O nosso país tem muitos problemas económicos, políticos e culturais e realmente a moda não é uma das prioridades, tão pouco algo de grande importância. Assim como Lisete Pote, Lucrécia Moreira, Elisabeth Santos, dentre outras que abriram e desenharam o caminho para o surgimento de outros estilistas, ou ainda como a extinta agência de modelos Mangos descobria as modelos, é importante abrir-se espaço para outros… A função da moda é essa, isso é o que deixa o negócio fresco.

7.7.13

Estrangeirices Fashion Week 2013

Realizou-se nos dias 19, 20, 21 e 22 de Junho a 13ª edição do Angola Fashion Week uma produção de Emília de Morais e da agência Hadja Models.



Quatro dias de moda e glamour que contou com a presença de alguns dos melhores estilistas do país, tal como estilistas estrangeiros convidados.

Ao longo destes quatro dias em que Luanda respirou moda, muitos comentários, fotos e vídeos foram postados nas redes sociais por pessoas que presenciaram os desfiles e por meio destes, é possível fazer-se um balanço de tudo o que se viveu nesta edição.

3.1.13

Retrospectiva da moda angolana 2012

                                                                                                        

15.7.12

Novo Programa da TPA1: Estilo Ginga




Inspirado na grande mulher Nginga Mbandi e no gingar da mulher angolana, nasce o primeiro programa de moda angolano Estilo Ginga, uma criação de Henry Christopher e produzido pela KULENGA Produções e Filmes. Estilo Ginga promete ser ‘’Um novo senso criativo’’.




O novo programa televisivo a estrear brevemente na TPA 1, foi criado com o objectivo de inculcar as mulheres angolanas o hábito do uso das roupas africanas, uma vez que o uso das mesmas foi-se perdendo ao longo do tempo e essa perda gerou um certo tabu que será desmitificado ao longo dos episódios.

O Estilo Ginga assemelha-se ao programa estadunidense Project Runway apresentado pela Top Model alemã Heidi Klum mas adaptado a nossa realidade.



Sinopse
Rampa de lançamento para novos estilistas angolanos na área de confecção de roupas de estilo africano, com uma duração de três meses e com uma apresentação semanal, o Estilo Ginga iniciará a primeira temporada entrevistando pessoas que fazem do estilo africano o seu dia-a-dia e que reveem no estilo a sua história, a sua trajectória, figuras como Rosa Roque e Kanguimbo Ananás contarão histórias sobre a sua ligação ao estilo e como não podia deixar de ser, criadores nacionais como Rui Lopes e Avelino do Nascimento contarão histórias sobre o seu envolvimento com o mundo da moda em Angola.


Dando seguimento as entrevistas, entraremos numa espécie de reality show/ concurso aberto para o público que se sinta capacitado e munido de conhecimentos de concepção de ideias, corte, costura e liderança.

O programa contará com a participação de aproximadamente oito (8) aspirantes a estilistas que passarão por uma eliminação progressiva que reduzirá os participantes iniciais a apenas 1 que será o vencedor. 

Cada desafio exigirá que os estilistas desenvolvam uma ou mais peças de roupas que são apresentadas na passarela e variarão em diversidade criativa para testar tanto a criatividade do participante, quanto a sua concepção de estética pessoal.

Os participantes terão como mentora a conceituada estilista Nadir Tati, que dará sugestões sobre as criações e acompanhará o processo de concepção. 

A cada desfile os estilistas serão julgados na passarela pelo trabalho concebido até a data da primeira eliminação e posteriormente haverá uma votação pública para a escolha do eliminado. 

O banco de jurados será formado por um especialista na cultura africana, um estilista e um especialista em história da moda em geral. Cada eliminatória contará também com a presença de alguns criadores estrangeiros de moda africana.

Premiação

O vencedor terá como prêmios uma linha de crédito para abertura de um atelier com as máquinas básicas, formação em um atelier de um estilista nacional de renome e ingresso imediato a um dos maiores eventos de moda no país que suceder a divulgação do vencedor.

Inscrições

A partir da próxima semana, iniciarão as chamadas para o ingresso ao programa e o material a ser entregue que será anunciado na data de início das chamadas, deverá ser entregue na portaria da TPA1, Atelier Nadir Tati (Talatona) e nos escritórios da Kulenga Produções e Filmes (Projecto Nova Vida).  

Crítica

Embora apareçam inúmeras opiniões contrárias ao lançamento deste projecto, o Estilo Ginga é uma abertura para se originarem outros programas do género e quiçá uma alavanca para o ressurgimento da indústria têxtil no país. 

É um projecto ambicioso, que surge numa altura em que o mercado do vestuário no país está sob o domínio estrangeiro (USA, Brasil entre outros países), quando deveríamos seguir exemplos de países como a África do Sul, Nigéria e Camarões em que as suas raízes são diariamente visíveis na maneira de vestir do seu povo.

 Espero que este programa mude positivamente a forma das mulheres angolanas olharem para os trajes de estilo africano e que a qualidade do programa faça jus ao nome N(ginga).




3.7.12

“Sede não é nada, imagem é tudo”: Jogos Olímpicos 2012


Finalmente foram publicadas as primeiras imagens dos trajes vencedores do concurso público organizado pelo Comité Olimpico Angolano para as olimpiadas de 2012.


A estilista Nadir Tati e o apresentador de tv e agora ''estilista'' Jorge Antunes foram os vencedores e os trajes foram oficialmente apresentados neste sábado, numa bela cerimônia que decorreu no Jardim da Cidade Alta.

Rebusquemos os princípios de Vitrúvio e analisemos cada traje. Imagens valem mais do que mil palavras, por isso deixo a imagem abaixo para vosso deleite e opinião. 




Trajes de Nadir: primeiro, segundo, quinto, sétimo e oitavo; Jorge Antunes: terceiro, quarto e sexto

27.6.12

Angola Fashion Week 2012: Ponto de vista

Fotos: Adelson Cadete e Nelson Silvestre

O Angola Fashion Week (AFW) é um dos eventos de moda, que ocorre anualmente em Luanda, onde são apresentadas as últimas tendências dos criadores nacionais para o Cacimbo.

Nos dias 21, 22 e 23 de Junho, foram várias os criadores que desfilaram no Cine Atlântico.



CALENDÁRIO DOS DESFILES DO AFW 2012

Dia 21

- Boutiques (não nos interessa focarmos!);
- Carla Silva.

Dia 22

- Indical Barbosa;
- Soraya da Piedade;
- Ana Loyd;
- Geraldo Fashion;
- Tucha;
- Shanguiny;
- Dina Simão;
- Mirian Abreu.

Dia 23

- Carla Silva;
- Tina Souvenir;
- Nadir Tati;

- Convidados: David Tlale (África do Sul), Augustus (Portugal), Pedro Pedro (Portugal), Elaine Henriques (Brasil) e Taibo Bacar (Moçambique).

Para este ano, a organização do evento escolheu como tema ECOLOGIA, num momento em que o planeta debata-se contra numerosas calamidades e cuja preocupação é de retardarmos os danos colaterais que as nossas acções passadas e futuras possam causar ao planeta mãe.

''Meu ponto de vista é para o negativismo, uma vez que o tema em questão não foi seguido pela maioria dos estilistas, não vi tecidos que fossem ecológicos ou que instigassem a sustentabilidade e preservação do meio ambiente, antes pelo contrário o mesmo de sempre, posso estar errada por não ter presenciado o evento, e poder apreciar melhor a qualidade dos tecidos, mas este é o meu ponto de vista, espero que as críticas sejam construtivas e que no futuro possam mudar a lógica do tema em questão, porque não é correcto se organizar uma festa do preto e as pessoas vão de branco só porque assim querem, quando o dress code requisitado é um.''
in Ema Conceição 



Dina Simão apresentou a colecção Simplesmente mulher, repleta de looks prontos a saírem das passarelas para as ruas. Dina limpou excessos, escolheu melhor os materiais para compor um Cacimbo delicado, feminino e sofisticado.
O que me intrigou na participação de Dina neste AFW, é o facto de ela desfilar no segundo dia com os young designer's e não no terceiro e último dia com os designer's estabelecidos, uma vez que em 2009 foi uma das nomeadas para Diva da Moda e também pelo vasto curriculum que tem. 
Embora não tenha seguido o tema do evento, como a maior parte dos estilistas que participaram, gostei da colecção apresentada, pelo facto de Dina mostrar uma outra faceta com os looks citadinos que apresentou.


O trio Geraldo Fashion não me impressionou, mantiveram-se fieis a sua impressão digital mas não apresentaram uma colecção ao nível que nos acostumaram.

Ana Loyd, foi uma das estilista, senão a única que tentou estar dentro do tema escolhido para o evento. Ecologia remete-nos logo a preservação e Ana optou por uma combinação de tecido com materiais recicláveis (jornais, caricas, sacos...). 
A ideia do vestido de noiva em jornal foi excelente mas o resultado foi muito previsível. 

O único estilista que apresentou uma colecção inteiramente masculina, Indical Barbosa arriscou e trouxe para a passarela, peças com cores inusitadas.

Após a sua última apresentação na terceira edição da Semana de Moda de Curitiba, Soraya da Piedade estreou-se pela primeira vez numa passarela angolana, trazendo para nosso deleite, a sua mais recente colecção. É de se louvar o trabalho desta jovem designer, que embora não se tenha enquadrado no tema, apresentou a colecção mais coesa do AFW. Uma colecção muito bem pensada, com o jogo de cores e não cores e uma pitada de Piet Mondrian. As peças da estilista são fáceis de se usar e causam um efeito impressionante, pois carregam muita informação e pesquisa. Uma colecção assinada por quem realmente entende de moda.

Desconheço completamente o trabalho desta jovem estilista proveniente da Huíla, contudo, é estranho uma criadora proveniente de uma das províncias que apresenta um quadro de temperaturas baixíssimas, estrear-se com uma colecção para o verão. As roupas não conversam entre si, o que resulta num desfile muito pouco coeso, com uma mistura de trajes para dormir com fatos-de-banho, numa época em que ir a praia é quase que impensável.  

Estilistas Estabelecidos




A estilista trouxe a passarela, peças que remetem a água, terra, vento e flora. Sempre dentro do tema cunho da marca (vestidos de noite). Carla esbanjou sensualidade e esmerou-se na sua faceta ''alta costura'' com alguns trajes muito bem trabalhados a mão. 


Já vi colecções da estilista Tina Souvenir bem mais interessantes, contudo, adorei a combinação das cores e o degradé que foi surgindo ao longo do desfile. 
Nadir Tati, a estilista mais esperada do AFW, mostrou que a sua parceria com a Vlisco continua firme e o seu cunho afro-moderno sempre presente. 

Quem fecha uma semana de moda, deve ser uma lufada de ar fresco e um orgasmo de inspiração para quem assiste ao desfile e não notei isso na colecção ''foi simplesmente menos do mais'', não houve coesão entre as peças e mais uma vez, tal como aconteceu no desfile da estilista com Fátima Lopes, não se percebeu a ideia, uma vez que o tema da colecção é uma afirmação ao titulo que ostenta de Diva, ela devia ter dado mais de si e não sentar sobre o título e descansar como fez. 

A colecção apresentada por Nadir, será também apresentada no New York Fashion Week (acho muito engraçado os negros reclamarem de racismo, quando eles próprios organizam eventos que primam pela distinção racial como este de New York destinado a criadores ''negros''. Vamos lá tentar entender!).


Após organizar pela primeira vez o Mister Angola 2012, Hadjalmar El Vaim, estreou-se na organização de um dos maiores eventos de moda do país e uma vez mais superou as expectativas.

É de se louvar o esforço de toda a organização, mas a meu ver, um evento deste calibre e com um tema tão sugestivo como o escolhido para este ano, merecia mais atenção e criatividade na escolha e decoração do local do evento.

Os mestres existem para nos ensinarem, embora se diga que o aluno nunca se torna melhor do que o mestre, a organização bem que podia deixar voar a imaginação e organizar o evento por exemplo numa estufa, jardim botânico ou outro local que nos remetesse a natureza. 

Achei também o layout do evento muito pobre e nude, existem mais de mil espécies vegetais e animais pelo mundo e limitaram-se a colocar uma foto de uma das modelos trajando um vestido verde em um fundo branco com umas letras a acompanhar ao lado, ''a preguiça é a chave da pobreza''.

O louvor aos estilistas estrangeiros como não devia deixar de ser, sentiu-se em mais uma edição, antes e ao longo do evento, até mesmo por parte dos manequins que mesmo em fase de prova de roupa, priorizaram os estrangeiros.

Eu acho que deviam inventar um nome para essa doença, sim doença pois nós os angolanos temos uma fobia tal ao nacional que é uma vergonha muito grande para nós ''O que é nacional é bom!''.

Também houve a desistência de dois criadores nacionais - Rui Lopes e Mirian Abreu- segundo Rui, a sua desistência deveu-se ao facto de a organização tê-lo convidado a participar caso este apresentasse uma colecção inteiramente masculina e este não precisaria pagar o pacote de mil usd de participação. A organização de um evento não deve jamais impor limites ou determinar o processo criativo de um estilista, quiçá esta pague para que o estilista desenvolva determinada colecção para o evento, o que não chegou a acontecer.

Por sua vez, por motivos que eu desconheço, a criadora Mirian Abreu desistiu de participar no evento por motivos por mim desconhecidos. 

Os meus parabéns a toda a organização do evento, desafios são assim mesmo e próximo ano esperamos ver superadas todas as falhas cometidas nesta edição.











1.6.12

Precisamos nos re (inventar)



''A moda sempre foi negócio mas, se no passado, era possível manter-se um ateliê confeccionando apenas roupas sob medida, hoje é necessário criar o produto e personalizá-lo de acordo com o mercado consumidor.''

Já lá se vai o tempo de ouro da indústria têxtil em Angola, tempo este em que as fábricas têxteis funcionavam e muito do que se vestia no país era confeccionado cá. A Independência Nacional foi necessária sim mas em contrapartida, em muitos aspectos a nossa sociedade regrediu, não pela conquista desta, e sim pelas mais de três décadas de guerra que o país atravessou.


Hoje, estilistas, costureiras e alfaiates têm associado o estado actual da moda no país a ausência de indústrias têxteis. As indústrias fazem falta sim, mas em um mundo em que a importação e exportação de produtos virou negócio desde o princípio do mundo, é possível sim mudar-se o quadro actual. Como? Reinventando-se!

Todos os dias surgirão estilistas angolanos, mas poucos ou nenhum estilista está capacitado para realmente se internacionalizar e tornar-se numa grande marca como a Versace, Elie Saab, Gucci, Alexandre Herchcovitch… tudo porque esta internacionalização não depende das industrias têxteis e sim primeiramente da organização do grupo/atelier em sim.

Porquê que são poucos os empresários que apostam no mercado da moda, apoiando estilistas nacionais? Porquê que são poucos os bancos que concedem créditos a estilistas? A resposta não está na ausência da indústria têxtil no país, ainda que ela se venha a reerguer, acredito no falhanço total; primeiro porque não temos mão-de-obra capacitada, segundo porque a capacitação destes profissionais levará anos a fio e terceiro exigirá a importação de mão-de-obra e capacitação dos estilistas nacionais que nunca tiveram contacto com produções dessa magnitude.

Uma empresa de moda de sucesso não depende unicamente do trabalho do estilista e dos seus alfaiates. Pensar moda ultrapassa muita das vezes os nossos limites como entendedores da relação roupa/individuo.
Critica-se a juventude angolana por não usar roupa tradicional, que devia valorizar a sua cultura… O que se tem esquecido, é que até mesmo está dita ‘nossa cultura’ não está expressa nas roupas que se dizem ser ‘tradicionais’.

 A nossa cultura começou a se perder a partir do momento em que adaptamos os tecidos ‘africanos’ a modelos de vestuário europeus. Essa história de roupa tradicional é conversa; consideremos tradicional a indumentária usada pelas Mumuílas por exemplo. Angola é um país pluriétnico e multicultural sendo composto por três grandes grupos étnicos Bakongos, Ovimbundos e os Kimbundos, sem contar com outros grupos existentes em menor número, e por isso é difícil eleger-se um traje como sendo tradicional e que identifique um ‘todo’ como a Palanca Negra ou a Welwitschia Mirabilis que imediatamente associamos a Angola.


''Não podemos obrigar os nossos jovens a vestirem aquilo que os estilistas nacionais entendem como vestuário tradicional quando as suas colecções não abrangem determinados públicos-alvo.'' 


Os estilistas angolanos têm por hábito criar tudo o que a sua inspiração lhes proporciona, quando para se poder expandir uma colecção de moda como acontece no exterior do país, não só em outros continentes, como em África, precisa-se de um estudo aprofundado que passa pelos ‘Cool hunters’’, antropólogos, sociólogos e muitos outros profissionais. 

Cool hunter pode ser traduzido como “caçador de tendências” que costuma circular pelas ruas, cinemas, shows e exposições das cidades registrando tudo, até a roupa que nós usamos. São pagos para fazerem viagens e terem percepção aguçada, rapidez para observar e registrar tudo o que interessa, sempre com máquinas fotográficas e notebooks: é assim que eles captam comportamentos, estilos, novos talentos, ídolos emergentes e desejos de consumo – informações bastante preciosas para a indústria da moda e do design. 

Toda essa informação é recolhida e passada ao estilista que juntamente com outros profissionais fazem uma releitura num demorado e minucioso processo para depois termos as roupas nas passarelas e seguidamente enfeitando montras de diversas lojas. As colecções não devem ser unicamente ditadas pelas estações e sim pelo que está em voga. Semanalmente, as grandes marcas de vestuário inserem novas peças em suas lojas para se manterem actualizadas.

Se um estilista mostrar-se organizado, tendo por exemplo o seu atelier munido de um relações públicas, advogado, alfaiates, assistentes, designers gráficos e tantos outros profissionais que o ajudem a fazer crescer a empresa, com toda a certeza obterão mais facilmente financiadores e começarão a produzir roupa, calçado… no exterior do país e assim agradar o público angolano (por sinal muito exigente) e alcançar as mais variadas lojas do país. Não é o estilista que deve estar a frente do negócio, embora este tenha que ter conhecimento do que se está a passar com a empresa. Uma maneira divertida e fácil de se entender o mundo da moda, é lendo o livro Vestido em Chamas do primeiro estilista brasileiro a trabalhar em Paris, Ocimar Versolato, que de forma divertida faz uma biografia do que foi a sua carreira nesse mercado, desde o auge, até a sua queda.

Ainda que exista um grande número de estilistas que trabalhem em confecção de roupas desde muito anos atrás, poucas ou nenhuma tem conhecimento de técnicas de produção em massa, produção de estampas e tantos outros procedimentos que exigem tempo, prática e muita pesquisa, tal como ter olhos para o negócio e ser oportunista.

Creio que a salvação esteja nas mãos de estilistas angolanos que têm feito formação no exterior do país como Felícia Mahatma, Soraya da Piedade, Daniela Andrade... que adquiriram já uma certa bagagem e estão preparadas para fazerem a diferença. A premissa é básica para se ter sucesso na moda - Estar à frente do seu tempo.

25.5.12

Eu tenho um sonho…


Angola não é um país intrinsecamente corrupto. Não existe nos genes Angolanos nada que nos predisponha à corrupção, como algo herdado, por exemplo, de desterrados portugueses.

De acordo ao dicionário, corrupção é adulterar, corromper, estragar, viciar-se e nos dias em que vivemos, muito se tem falado a respeito.

Pensamos que a corrupção está intimamente ligada aos que exercem o poder público.
Ledo engano, ela está de tal forma disseminada entre nós, que, com certeza, muito poucos nela não estão enquadrados.


Triste realidade

Estamos a ser corruptos, quando prestamos serviços fora da empresa a clientes da mesma, a um preço mais baixo, quando mensalmente recebemos um salário.

Corrupção é sermos pagos para trabalhar oito horas e chegarmos atrasados, ou sairmos antes. É conseguir atestados falsos, de profissionais igualmente corruptos, para justificar a nossa ausência do local de trabalho, em dias que antecedem a feriados. 

Corrupção é quando ao invés de darmos oportunidades a estilistas talentosos, apoiarmos sempre este ou aquele estilista por ter crescido connosco, por ser nosso familiar ou termos alguma outra ligação afectiva. Os trabalhos deverão ser conseguidos pelo talento, criatividade e dinamismo ou pela famosa CUNHA?
Assim, a partir de agora, passemos a examinar com mais calma tudo o que fazemos. 

Desejamos que a situação que vivemos no nosso país tenha prosseguimento? Ou almejamos uma nação forte, unida pelo bem, disposta a trabalhar para progredir, crescer em intelecto e moralidade? Em nossas mãos, repousa a decisão. 

O que falar sobre um concurso público exclusivo a estilistas angolanos, lançado no começo do ano pelo Comité Olímpico Angolano, que os desafiou a desenharem vários coordenados para serem usados pela Comissão Olímpica Angolana nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, onde um dos concorrente não ligado a moda além de criar o regulamento participou do concurso e posteriormente o venceu? E ainda da estilista vencedora (foram dois os vencedores) que ditou o prêmio para o concurso pois a organização mal sabia organiza-lo e ficou praticamente a cargo da dupla vencedora. Sem falar que os coordenados vencedores não foram apresentados, uma vez que o concurso fora público e todos nós temos o direito de ver as propostas vencedoras antes de serem exibidas no decorrer das olimpíadas.

 ‘’Enquanto a corrupção estiver viva, é impossível que aqui haja paz.’’
José Cambinda Dala

Também no início do ano, as inscrições de estilistas para participarem da EXPO Shangay 2012 foram abertas e segundo o que foi dito, se pretendia dar um novo ar a exposição e levar-se um grupo novo de estilistas, pois a comissão responsável decidiu apostar na diferença e levar o que ainda não foi visto. Bem que muitos tentaram participar, mas como não há peixe que chegue para todos na rede, as eleitas foram Nadir Tati, Mia Mendes e Ana Loyd. Cada uma delas selecionada pelos seus motivos (e que motivos) …

Falo também de estilistas que apresentam os seus trabalhos em desfiles fora do país e que constroem uma história tão linda a volta da sua participação, digna da Alice no país das Maravilhas, que nos dão a entender que foram sim convidados a participar- com o pacote da viagem todo pago- quando receberam o convite (que lhes dá o ingresso ao evento mas que posteriormente deverão pagar uma taxa de participação e ainda pagar a estadia) ou ainda enviaram uma candidatura espontânea (mostrando a sua intenção em participar).

Eu deixo a vocês o direito de decifrar o que vos retrato aqui, mas os desonestos, são pessoas que possuem a alma tão egoísta que jamais sentem qualquer peso na consciência e na hora de subtrair algo, aceitam qualquer negócio vantajoso para si e prejudicial aos demais.

Os concursos públicos devem ser transparentes e os candidatos capacitados as exigências ditadas pelo regulamento geral. O grupo organizador destes concursos deve visar pelo perfeccionismo, tendo toda a documentação preparada para aqueles que pretendem concorrer, desde fichas de inscrição, regulamento, um jurado competente e verdadeiro munido de imparcialidade, um prêmio de congratulação por ter participado e ganho a posteriori.

Se desejarmos, podemos iniciar o corte da corrupção hoje mesmo, agora! E se acreditamos que se somente um número insignificante de pessoas enveredar por isso, tudo continuará igual, não é verdade! Os exemplos arrastam sim!

Se começarmos a campanha da honestidade, da integridade, logo mais os corruptos sentirão vergonha. Receberão advertências e punições, em vez de aplausos. 

E, convenhamos, se não houver quem aceite a corrupção, ela morrerá por si mesma.

Pensemos nisso e não percamos tempo. Não é o grito dos violentos, tão pouco dos corruptos, dos desonestos, dos sem-carácter, ou dos sem-ética que mais preocupa. O que mais preocupa é o silêncio dos bons!

‘’(…) Xê, menino, não fala política/ Não fala política, não fala política/ Mas a velha Chica, embrulhada nos pensamentos/ Ela sabia, mas não dizia/ A razão daquele sofrimento Xê menino (…) ‘‘
Não foi só  Martin Luther King que teve um sonho, Waldemar Bastos também o reflectiu na sua música Velha Chica- ‘’(…) Xê menino posso morrer/ Já vi Angola/ Independente’’, eu também tenho um; o de ver a nossa ANGOLA livre da corrupção, das injustiças, um país verdadeiro…

 Eu tenho um sonho… O de ver as nossas passarelas não ultrajadas e de os verdadeiros estilistas virem a ser reconhecidos. Na imagem, desfile do estilista angolano Avelino do Nascimento

‘’I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of it’s principles (…) ‘‘
Martin Luther King

17.5.12

Melhores intenções


Aqui vai a minha primeira matéria publicada a semana passada na revista Vida. 
Deliciem-se!

 Os Vários pontos de vista da moda angolana: Mental, Mwamby Wassaky, Nadir Tati, Soraia da Piedade, Mia mendes, Carla Silva e Geraldo Fashion

 «Quando falo de futuro na moda, não me refiro só à roupa, mas a toda estrutura que faz parte desta. A crítica faz parte desse mundo como podemos ver no filme “O Diabo veste Prada”.» 
Jefferson Kulig


Para se poder expressar a verdadeira opinião, é necessário anos de prática, de conhecimento e muita, leitura sobre o que se vai falar. É necessário saber argumentar, trazer referências e usar uma grande variedade de palavras da língua portuguesa para não se falar por falar.

Hoje em dia, todo o mundo pode se julgar crítico de moda, assim como muitos se tornaram críticos de futebol nos últimos anos.

‘Não há argumento sem respeito.’


Após escrever algum tempo no blog Aspiração do Sublime, apareceu-me a oportunidade de partilhar as minhas ideias por estas páginas e com as melhores intenções.

Ultimamente temos visto um considerável número de revistas no mercado nacional que tentam do seu jeito, falar sobre moda mas acabam por ser foto reportagens e ‘‘puxa sacos’’ de figuras que organizam ou até mesmo fazem-se presentes nesses eventos. Ficando um tanto quanto difícil entender o que as pessoas de ‘‘peso’’ querem com esse povo, parece tudo uma enorme jogada de marketing “dá acesso, está na tv, vamos lá chamar”.

Aos poucos é necessário sim falar-se de um futuro na moda nacional, não só no que diz respeito a roupa em si mas de toda a estrutura pois a moda não se resume apenas às roupas e aos desfiles. Seu alcance e abrangência vão muito além disso, penetrando profundamente na cultura e no comportamento da sociedade, influenciando as nossas vidas  cotidianas, mantendo íntimas relações com quem somos e com o quê queremos comunicar.

A crítica na moda deve sim existir e o peso de quem escreve importa, claro!

Porém, num país de história de moda recente como Angola, é preciso dar voz às novas gerações de escritores, e deixá-la exercitar-se. Ninguém começa a acertar sempre, da mesma forma como bons e consolidados estilistas também são passíveis de erros.

 
Fátima Lopes no seu último desfile em Luanda onde esta não agradou a maioria

Eu particularmente acho que as críticas são sempre bem-vindas tantos as positivas como as negativas.
Obviamente vivemos em um mundo em que as pessoas têm opiniões e gostos que por vezes divergem. Nem sempre vamos agradar a todos. Apenas acho que todas as criticas, ainda mais as negativas, devem respeitar de certa forma o autor e apresentar argumentos construtivos.

Uma crítica de moda bem feita é aquela que transmite um pensamento claro, com boa informação e explica para o leitor qual é o valor existente naquilo que foi apresentado. Crítica não é sinônimo de negatividade. Crítica é transmitir um julgamento – pode ser bom ou pode ser mau – e por isso a selecção do que é importante ser dito, é crucial. E essa avaliação deve estar apoiada em razões explícitas. 


 À esquerda a cantora Rihanna trajando um fato-macacão. À direita um clone, do mesmo fato, pela dupla de estilistas angolanas Roberta e Zamira Rodrigues, proprietárias da marca African Destiny

Tem que ter vitalidade, tem que ter ousadia, tem que saber separar o que é original do que é derivado. Não é uma opinião, mas também não pode ser totalmente objectivo. Tem que ter uma certa subjectividade, porque escrever crítica é se expôr!

Esse deve ser o trabalho dos jornalistas angolanos que se aventuram em falar de moda. Devem fazer um trabalho mais abrangente e não apenas focarem-se nas figuras públicas que frequentam eventos de moda e olhar com um sentido de responsabilidade de quem vai passar uma informação original e completa sobre o trabalho dos estilistas, não só em vestuário, como também de outros profissionais (modelos, cabeleireiros, fotógrafos, agentes de modelos, produtores de eventos, aderecistas…).

''Em eventos de moda em Angola, famosos não chegam, surgem!''

É necessário falar-se do que já se fez a nível de moda no país, saber como tudo começou, documentar acontecimentos, relatar factos...

Outro assunto que se deve reflectir, acima de tudo falar e trazer a público, é o facto de muitas verdades da moda nacional estarem encobertas e o público não sabe o que se passa no backstage.

‘‘Quem é que não sabe que de Janeiro à Dezembro todos os espectáculos os artistas são sempre os mesmos? É tudo um pacote e o que está fora do pacote, nem que cantem pacote, vão fazer show no inferno. É assim que o business é e os que estão dentro estão a rir e a dizer - Estamos a bater! (...) e eu já vejo indícios desse povo querer vomitar (...)’’ estas palavras são um trecho de uma das músicas do rapper angolano Dji Tafinha, que fala da realidade da música em Angola mas que também se aplicacam a realidade da moda nacional, uma vez que em Angola, actualmente temos somente uma estilista (risos), sem falar dos profissionais que pagam, bloqueiam, se esperneiam e fazem trinta por uma linha para conseguirem tudo o que pretendem e manterem o ‘bolo’ só para eles.

Queridos leitores, moda não é isso, Moda é algo muito mais simples… Moda é o resultado da soma de 1+2+3+4+5+6+7+8+9+10…N= UNIÃO.

Espero que nos mantenhamos ligados por estas páginas e que percebam e recebam bem tudo o que escreverei por aqui. Vou falar de moda sim...de uma forma diferente e claro, com a melhor das intenções!

13.5.12

Parabéns ao blog Aspiração do Sublime

''Água mole em pedra dura. Bate, bate, até que fura.''

 O blog Aspiração do Sublime está de parabéns por mais uma conquista. Após anos a escrever no blog Erudito, abertura do blog Aspiração do Sublime, surgiu-me a oportunidade de escrever para a revista Vida, que acompanha semanalmente o jornal O País.





São anos de batalha, contra muitos e contra todos ehehehehe... Mas como quem espera em Deus tudo alcança, agora estaremos ligados também semanalmente, em duas páginas na revista Vida. Comprem já a edição desse final-de-semana com a matéria Melhores Intenções.

Além de falar-vos duas páginas de moda, também vos mostrarei mais um outro lado meu, falando sobre Arquitectura em duas páginas, o que totaliza 4 páginas semanais.

Parabéns a todos que têm visitado o blog, não só os angolanos como também os demais visitantes dos quatro cantos do mundo. Essa batalha não é só minha e sim de todos vocês que contribuem, apoiam e acreditam na verdade...

A todos vocês, o meu muito OBRIGADA! 

3.5.12

Elite Model Look Angola 2012 - Minha perspectiva

Finalmente realizou-se no Sábado passado (29 de Abril) mais uma final do grande concurso Elite Model Look Angola.



Os primeiros burburinhos que se fizeram a volta do concurso este ano, foi o facto de nos outdoors espalhados pelo país constarem a imagem de três modelos estrangeiras pertencentes a Elite, quando podiam ter colocado as nossa duas primeiras vencedoras, Roberta Narciso e Elsa Baldaia, como um meio de incentivo para as interessadas no concurso deste ano, para que sempre que olhassem para a imagem das duas belas raparigas dissessem para si mesma - TAMBÉM QUERO SER COMO A ELSA OU A ROBERTA!


Nesta imagem podemos ver um jovem a segurar um flayer do concurso e nele podemos ver a miniatura dos outdoors do qual vos falei acima


As duas primeiras vencedoras do Elite Model Look Angola: Elsa Baldaia e Roberta Narciso

Muitos burburinhos depois, realizaram-se os castings, nos quais muitas províncias infelizmente não foram representadas na final e Luanda superou as expectativas, apresentando um grande número de belas candidatas.


As candidatas do EML Angola 2012 com a formadora Ana Marta

O evento decorreu com uma lista de espectadores muito bem seleccionada, ligados aos mais variados sectores da nossa sociedade.



Os espectadores ansiosos pelo anúncio da grande finalista


As candidatas interagindo com o músico angolano Dji Tafinha

Desconheço completamente os critérios para a escolha das colecções e dos estilistas que participam nas finais do Elite Model Look Angola e na minha opinião, tanto a organização como a apresentadora, deveriam ter mais atenção, a primeira parte na selecção dos participantes e a segunda nas palavras que dirá ao longo da apresentação (ao longo da matéria perceberão o que vos quero dizer). 


Roupa do estilista libanês Georges Hobeika apresentada no Elite 2012

Durante a apresentação da gala, a apresentadora Micaela Reis, referiu que o estilista Georges trouxe uma colecção dedicada a mulher angolana e  inspirada nos oceanos que banham a nossa costa.

Como é que a colecção é dedicada a mulher angolana e inspirada nos oceanos que banham a nossa costa se as roupas apresentadas pertencem a colecção Outono/Inverno 2011 do estilista e no site Red Carpet a escritora diz o seguinte sobre a colecção:
''Yesterday I attended the Georges Hobeika Fall 2011 collection.With a steadily growing celebrity fan base, I was very excited to view what we should expect to see on the red carpet in the coming months.The designer was inspired by the timeless feminine grace of Greek goddess Antheia.She was the goddess of flowers and flowery wreaths worn at festivals and parties. This translated onto the runway via beautiful blossoms and the free flowing silhouettes.Mushroom pleats and romantic lace accented layers of fine organza, crepe and georgette on a refreshing colour palette of moon grey, lilac and shades of bubblegum pinks.Subtle embellishments dazzled on the runway, ruched backs accented the derrière, whilst satin ribbons provided the perfect finishing touch to many looks.''


Sendo assim, o estilista inspirou-se na graça intemporal da feminilidade da deusa grega Antheia, o que nada tem com Angola. A prova está na imagem abaixo. O site http://member.fashionwindows.net/53602/georges-hobeika-haute-couture-fall-2011-details/ também nos dá mais detalhes sobre a colecção dedicada a deusa das flores.


O vestido a esquerda foi apresentado no seu desfile da colecção Outono/ Inverno 2011 e o da direita é o mesmo vestido, só que vestido pela vencedora do concurso Elite Model Look Angola 2012

Eu estou cansada  dessas mentiras todas. O Georges é um estilista magnífico, que tem vestido inúmeras figuras de Hollywood e não o coloquem nessa peneira que insistem usar para tapar o Sol como se todos nós fossemos burros e não prestássemos atenção.


Os trajes apresentados no Elite VS os apresentados no desfile de Georges

Já a angolana Luena Gouveia, conhecida pelos seus looks comerciais e muito sofisticados apresentou uma colecção meio ''bizarra''. Infelizmente não tenho mais fotos das colecções de cada um destes dois estilistas, no Elite Model Look Angola 2012, fora estas cedidas gentilmente pelo site http://platinaline.com. 


Colecção da estilista Luena Gouveia na passarela do Elite

Eu lembro-me perfeitamente da primeira aparição de Luena como estilista e conheço cada um dos looks apresentados na sua noite de estreia e nada se compara a este último trabalho apresentado. Como diria Heidi Klum no Project Runway, ''Na moda um dia estamos in e no outro estamos out.'' Pronto falei!

A Verónica Bartolomeu arrebatou o prémio e irá representar Angola na grande final; boa escolha de um óptimo diamante a ser lapidado.

O bom do Elite, tal como outros concursos que acontecem pelo país, é que todas as concorrentes têm a sua oportunidade de brilhar após o concurso independentemente de serem ou não as vencedoras. Como exemplo, temos a Mauza António, Maria Borges, Adélia Cachimano...

Até ao próximo ano!