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25.7.14

Nós amamos tudo isso

A Semana da Moda Angolana terminou e diversas celebridades angolanas pisaram a passerelle para apresentarem as últimas propostas dos criadores angolanos, sendo que os nomes incluem Ary, Maria Borges e Sharam Diniz.



Foram três dias de moda e nós mulheres angolanas que adoramos compras e novas propostas podemos agora finda a semana riscar o nosso temido e adorado cartão de crédito afinal os looks-nossos-de-cada-dia estão recheados de significados fascinantes, mas em geral, inexplorados. E é justamente esse buraco que gera os tantos ‘’não tenho nada para vestir’’ mundo a fora e guarda-roupas a dentro e claro falta de dinheiro no final do mês.

7.7.13

Mulheres de ferro



Durante séculos, o papel da mulher incidiu sobretudo na sua função de mãe, esposa e dona de casa. Ao homem estava destinado um trabalho remunerado no exterior do núcleo familiar. Com o incremento da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX, muitas mulheres passaram a exercer uma actividade laboral, embora auferindo uma remuneração inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, as mulheres encetaram diversas formas de luta na Europa e nos EUA.

Eramos todas felizes e sabíamos


Chegou a hora de reviver o passado, voltar a ser criança e sentir saudades da nossa infância. Tenho saudades de ver desenhos animados na tv mas acima disso, saudades daquela expectativa de esperar a TPA abrir. Lembram-se daquela imagem colorida, em que colocavam um relógiozinho? Pois é, eu ficava fixada a olhar para aquilo a espera que batesse as quinze horas, ouvir o Hino Nacional e finalmente poder ver os tão desejados desenhos animados. 

Acredito que essa fase da nossa televisão marcou gerações, deixou saudades… Quanta saudade desse tempo, como eu era feliz e juro-vos que não sabia. Quem dera ter-me queixado menos e aproveitado mais…

Quando o mês das crianças chega, parece que passa um filme na minha cabeça. Ah se o tempo pudesse voltar...

5.11.12

Homens e mulheres como consumidores de Moda





Os papéis e os interesses das mulheres e dos homens sofreram profundas alterações quebrando-se alguns dos tradicionais estereótipos que estabeleciam o consumo feminino do masculino.
A crescente importância da mulher no cenário de consumo tem-se notado em várias esferas e vem-se acentuando ao longo das últimas décadas, nomeadamente, após a sua inserção no mercado de trabalho e as mudanças ocorridas na estrutura familiar e social.

As mulheres têm um conjunto de prioridades e atitudes muito diferentes. O seu processo de decisão de compra é radicalmente diferente, e elas respondem de forma diferente aos media, mensagens, linguagem e visual utilizados pelo marketing.

Estas diferenças têm-se reflectido principalmente quando se comparam comportamentos de compra entre os dois géneros. A mulher para além de ser uma consumidora nata é uma importante influenciadora do consumo da família.

É natural que estas mudanças se tenham reflectido nos comportamentos de consumo. Os produtos continuam os mesmos, mas o consumidor sofreu mutações. Em muitos sectores, alguns fabricantes têm vindo a adaptar a sua oferta aos gostos e necessidades femininos, em aspectos como o design, as cores, a comodidade e a funcionalidade.

As mulheres mostram-se mais receptivas à compra de produtos que amparam causas humanitárias, sociais e ecológicas. Valorizam a segurança, a qualidade, a ética e a nacionalidade dos produtos.
Por outro lado, os homens mostram-se abertos as inovações tecnológicas, o que os torna os maiores utilizadores da internet, mas não nos esqueçamos que o comércio electrónico tem cada vez mais aceitação no mundo das mulheres.



CONSUMO MASCULINO

Homem e mulher rendem-se aos apelos do consumo, movidos pelos mesmos desejos. Aparência e bem-estar, por exemplo, têm levado os especialistas a criar produtos e linhas de produtos de tratamento masculinos, à imagem do que há anos se vem desenvolvendo para o mercado feminino. O mercado da cosmética para o universo masculino é considerado ‘’emergente’’, mas ao mesmo tempo tem-se assistido a uma procura considerável e o crescimento deste nicho de mercado tem sido gradual. Há cada vez maior tomada de consciência da importância do tratamento, preferindo os homens, produtos especialmente desenvolvidos para si.

Temos de um lado as mulheres cada vez mais auto-suficientes e do outro, uma tentativa do homem de cuidar de si, no sentido de garantir uma maior qualidade de vida, adaptando comportamentos afeminados. Tendo surgido, inclusive, uma nova tendência, movimento ou evolução designada por metrossexualidade.
Muitos consideram um defeito, outros um comportamento afeminado e ainda um comportamento homossexual, no entanto, o que resulta é uma aparência mais atraente, o que os torna mais desejáveis para o sexo oposto, tal como acontece no inverso - quanto mais as mulheres se cuidam, mais atraentes e desejáveis se tornam.

MULHER E O CONSUMO

Solteiras, emancipadas, independentes, com poder económico e forte influência social, as mulheres formam um novo grupo alvo potentíssimo, um novo universo feminino. Diferentes em estilos de vida e em idades, estas mulheres auto-suficientes são sedentas por informação e procuram saber tudo sobre um produto antes de decidirem a compra o que as torna leais às marcas em que confiam; são muito influenciadas também pelo conselho de pessoas em que confiam.

Hoje as mulheres angolanas recorrem à internet ou a catálogos como uma ajuda na gestão do seu tempo para as actividades relacionadas com compras. Actualmente a internet encaixa-se no estilo de vida das angolanas, é fácil, conveniente, poupa tempo, resolve problemas e permite comunicação. As compras online hoje em Angola tornaram-se negócio.

O novo modelo feminino mostra uma mulher com uma necessidade muito grande de se satisfazer a si mesma, o que significa que as mulheres adoptam um comportamento mais vaidoso e egocêntrico, traduzido no consumo para si próprias, baseadas naquilo que está disponível no mercado exclusivamente para as mulheres. É o mesmo que dizer que ‘’(…) se continua a convidar os homens a brincar com carrinhos e as mulheres a servirem de bonecas consigo próprias.’’

Assiste-se portanto, à mulher emancipada e independente que continua a dedicar-se muito à sua imagem e a vivê-la também.

O homem moderno é igualmente convidado a comprazer-se, pela publicidade. O que leva a crer que o grande apelo quer para homens, quer para mulheres é sem dúvida a satisfação do ego, traduzindo num consumo homogéneo por mulheres e por homens relativamente a cuidados de beleza. 

Não são só as mulheres que se cuidam, a sociedade e o investimento no mercado masculino exige que os homens também o façam.

24.9.12

Vaidade: O meu pecado predilecto


Não há uma mulher no mundo que esteja completamente satisfeita consigo mesma.

As cheinhas querem emagrecer a qualquer custo. As magrinhas querem ganhar uns quilinhos e junto a eles, as tão sonhadas curvas do corpo feminino. Há também as magras que querem ficar ainda mais magras, mas esses casos já envolvem outros méritos.

São sete os famosos pecados capitais, e o sexto é o predilecto das mulheres– a Vaidade. Mulher é sinônimo de vaidade. Mesmo aquelas que dizem não se importarem com a beleza física, não resistem a um espelho. 


Eu, como uma pobre mortal do sexo feminino, confesso que fiz esse texto com base em mim mesma. Então por que fazemos tanta questão de estarmos tão perfeitamente magras? Passamos horas na esteticista, com aquelas máquinas que doem horrores, para tirar as celulites? Vamos ao ginásio com aquele pretexto ‘’ por questões de saúde’’, quando queremos é ficar com um corpo lindo e maravilhoso para nos exibirmos a outras mulheres e sermos desejo de todos os homens. Mas se perguntarmos a um homem a diferença entre uma estria e uma celulite, ele com certeza dirá “E não é tudo a mesma coisa?”.

Não atribuo isso a insensibilidade masculina, também porque não quero generalizar (somos todos diferentes!).


Creio que o defeito está em nós, mulheres angolanas, vaidosas por natureza. Nós que somos paranóicas com os nossos corpos e cabelos (sejam eles naturais, desfrisados ou aplicação). 


Nunca estamos satisfeitas com o que Deus nos deu. Muitos defendem a teoria de que os homens não veem tais defeitos mas para mim é uma mentira de consolação. Os homens veem sim, caso contrário não teriam as suas mulheres de desejo (embora fiquem mesmo pelo desejo!).

As modas hoje entre as angolanas surpreendem: cílios postiços (hoje aplicados não só nos mais diversos salões de beleza no país, como também nas barracas espalhadas por todas as ruas onde curiosos aplicam a preços de bagatela), unhas postiças (de gel, porcelana ou plásticas) agora então que já podemos colocar estampas, as mãos tornaram-se mais bonitas, pintura de sobrancelhas (tatuadas ou de henna) ritual de beleza.

  Mas, pensando bem novamente, não seríamos tão femininas, lindas, desejáveis e do jeito que os homens gostam, se não fossemos tão vaidosas.

 Por mais que tu (mulher) digas que não ligas para isso, que não és vaidosa, acabas sendo sim. Tem o hábito de ir a rua sem passar uma escova no cabelo? Vai a padaria com a roupa debotada e rota ou até suja por causa da limpeza da casa? Não vai, então pronto. Bem-vinda ao clube!

23.8.12

Consumismo: Felicidade maquilhada




A moda influência de forma directa um individuo e o mais interessante da nela é que, mesmo sem perceber, tudo está ligado à ela, pois a moda vem de tudo que está ligado ao comportamento, ao que se consome, está ligado à expressão. Com ela, o fazedor de moda, tem o poder de manipular o seu comportamento – e o dos outros.

A contemporaneidade é marcada fundamentalmente pelas relações entre indivíduo, sociedade, signos e mercadorias. A nossa relação com os objectos hoje, é fruto da mudança dos valores funcionais para os valores de signo, ou seja, a funcionalidade do objecto fica em segundo plano, e nos interessa, no entanto, o que ele representa.

 Hoje procuramos o novo a todo o momento e a qualquer custo. Dessa forma, a moda, é caracterizada pelo ciclo efémero da vida dos produtos, torna-se categoria cultural e também objecto de estudo de filósofos e sociólogos. Em cada objecto criado, há um sonho realizado, um objecto sonhado...


A INFLUÊNCIA SURGE DAS…

As telenovelas brasileiras, tão assistidas em Angola, têm uma forte influência no comportamento consumista do angolano. Através delas, muita propaganda é feita; é como se elas nos hipnotizassem e encaminhassem-nos para um mundo de desejo, sonho e satisfação. Elas ditam formas de vestir, músicas a ouvir, formas de pentear, falar… E essa moda, essa ditadura, alastra-se que nem uma peste!
Quem não tiver esse objecto de desejo, de sonho, esse signo (que embora seja uma futilidade que liga o consumidor - o telespectador a personagem), não está na moda!

QUANDO SOMOS ‘’DEMODÉ’’

Tu tens um armário cheio de roupas, sapatos e bolsas em bom estado que não podes mais usar porque a moda está ultrapassada. Um carro na garagem de a 5 anos atrás que é visto pelos vizinhos abastados com desdém e um sorriso complacente quando tu chegas. Um computador do ano de 2006, com um monitor enorme e branco no seu escritório que faz com os seus prováveis clientes desistam de fazer negócio consigo, sem realmente conhecerem o seu trabalho. Um telemóvel que não tem MP3, nem recurso de câmara fotográfica e vídeo embutido, nem toques com uma música divertida, muito menos acesso à Internet e assim por diante...

A cada nova compra já estamos a pensar na próxima! A efemeridade da moda acaba funcionando como antídoto para curar a ansiedade e saciar em pequenas porções a sede de emoções. A cada semana, uma nova colecção nas vitrinas das boutiques, a cada dia um novo capítulo da novela das oito, a cada seis meses a nova versão do carro do ano, um novo restaurante, cantina, bar... Imperdível é inaugurado.

A SOLUÇÃO PARA A ACEITAÇÃO COLECTIVA E INDIVIDUAL



Não é em vão que estamos endividados nos bancos, a utilizar cartões de crédito, cheques especiais, a pagar centenas de prestações de tudo aquilo que é possível comprar, e trabalhando… trabalhando exaustivamente, para termos o direito de sermos aceites pela sociedade.

Então, aquele nosso tempo livre e idealizado continua uma utopia, pois até quando acreditamos que estamos a “desfrutar da vida”, estamos na verdade a consumir mais: em bares, espectáculos, viagens com roteiros óbvios, a comprar objectos de desejo em shoppings ou serviços de estética, a tentar a todo o custo, literalmente, em sermos melhores do que somos, porque isso é claro na nossa sociedade, nós nunca somos bons o suficiente.

MAS QUEM CONSEGUE CARREGAR O PESO DA DESACTUALIZAÇÃO?

Quem quer ser marcado por rótulos como “brega”, “demodé”, “pobre coitado”, entre tantos outros, se os próprios mecanismos recenseadores contam a sociedade e a classificam de acordo com os bens que as pessoas possuem? Somos todos, então, actores no “teatro” do consumo! O pior é que somos actores do teatro do consumo estrangeiro.

Os estilistas angolanos, têm uma dificuldade muito grande em ditar moda em Angola e o estrangeirismo abarrota as vitrinas, aproveitando-se da ausência das indústrias têxteis no país, que impossibilitam que estes façam moda para todos (em massa e acessível a todos os bolsos) e o número de fashion victims no país tem aumentado avassaladoramente. Daqui a nada viveremos numa sociedade em que seremos clones uns dos outros e em cada esquina que virarmos, encontraremos alguém quase tão parecido connosco, simplesmente por sermos todos influenciados pela mesma moda, mesmo que esta não nos identifique.

A culpa disso será toda nossa pois não permitimos que determinados estilos de vida e moda instalem-se entre nós!
A nossa preocupação em consumir o último grito, em sermos os primeiros a ter isso ou aquilo e esparramarmos no rosto dos mais próximos a nós, a fim de sermos invejados e sermos um exemplo a seguir, leva-nos a comprarmos de forma descontrolada, como se a indústria e o nosso ego nos controlassem com um controlo remoto.

 Uns acusariam a moda de “frívola”, “superficial” e “fútil”. Ora, nesse desejo de vida total que se expressa paradoxalmente por essas formas ténues e superficiais que são as aparências, uma voz tenta sussurrar uma verdade surpreendente: nada é mais fútil do que nossos esforços para tornar tudo sério, útil, racional; nada é mais sério do que o fútil!  

 Como pode ser considerado fútil algo que é inerente a nós, como o vestuário, fútil é o preconceito, que afasta os cursos de moda das Universidades.

Já desde os mitos ancestrais, como a folha de parreira usada por Adão e Eva no Paraíso, a moda está presente!

Efemeridade, fervor de novidades e valor simbólico são os vértices que ordenam o universo da moda, aliados às armadilhas da publicidade, dos mass média e do poder aquisitivo dos estratos sociais. É por causa desse desejo simbólico, dessa vontade de aquisição, que muitos enveredam para o mundo da criminalidade, da prostituição...

A moda, seja ela vestuário, música, tecnológica… age sobre todo o indivíduo como um chip incutido nas nossas tão frágeis mentes, levando-nos a praticar actos, por vezes bárbaros, para a termos sempre presente e a mão.

 "O mundo sem moda seria triste e cinzento e muita gente não teria do que viver!" 

Pierre Cardin

 Por isso, antes de afogar-se em compras, de qualquer tipo, pare e pense no que está realmente a precisar no momento. Pode ser qualquer coisa, amor, apoio, uma risada demorada e boa, dormir... Procure exactamente o que precisa, perdoe-se, aceite-se e simplesmente relaxe. Fique tranquilo que a vida sempre nos mostra o melhor caminho, aquele que nos leva directo à felicidade, o estado mais natural de todas as coisas.



12.8.12

A verdade sobre o Tchuna Baby e a sua evolução para Meury



As tendências mudam de tempo em tempo e as releituras são constantes. A peça de vestuário que hoje conhecemos como calções, desde a sua criação até aos dias de hoje tem sofrido várias releituras. Em Angola, o fenómeno Tchuna Baby, é uma das releituras sofridas por essa peça de vestuário que virou tendência e tomou espaço no closet de quase todo o jovem mwangolé. Com a aproximação da estação quente, o uso desta peça que ficará na história do vestuário angolano será ainda mais notório e a evolução inevitável.  


Os famosos calções já estão na moda a várias décadas mais foram baptizados como “shorts” em 1920 e desde então têm passado por várias adaptações da moda em diferentes épocas, como os anos 60,70,80 onde os calções femininos eram mais coloridos, tinham um cós mais alto até ao umbigo e eram bem curtos.



E quando se tratava de calções masculinos, eram bem justos, e tinham um comprimento um pouco  acima do joelho e não eram tão comuns como hoje-em-dia, que vemos os homens na praia com calções, ou até mesmo no supermercado e em muitos casos na universidade e também nas escolas.

Com o passar dos anos os calções foram ganhando fama e popularidade e tornando-se cada vez mais normais e cotidianos. Nos anos 90 a indústria começou a explorar essas peças da moda, adicionando mais desenhos e criatividade às peças.
Hoje-em-dia o calção é um dos itens mais importante da moda casual.

No ano de 2011, em Angola, uma dupla de estilistas fez uma releitura da moda dos calções masculinos dos anos 80, inserindo-a no seio da sociedade por intermédio de um cantor conhecido na nossa praça musical, apelidando-o de Tchuna Baby. O facto é que hoje, o Tchuna, tornou-se um facto e é uma febre entre os jovens angolanos.


O QUE REALMENTE SIGNIFICA TCHUNA BABY?

Tchuna Baby é um termo moçambicano para definir peças de vestuário que marcam as formas da mulher e que são consideradas inadequadas a muitos ambientes sociais por serem inconvenientes demais. A palavra Tchuna é calão e quer dizer impressionar ou chamar a atenção, já o termo baby, trata-se, naturalmente, de um aportuguesamento do plural inglês "babys". Poder-se-ia traduzir por "meninas bonitas".

LOCAIS PÚBLICOS DE EXIBIÇÃO DAS TCHUNA BABY

Na cidade de Maputo, local de surgimento do termo, existem duas possibilidades de uso de tchuna babys: na Avenida 24 de Julho, onde diariamente, especialmente de tarde, passam jovens em grupo, exibindo os tchuna com elegância, donaire, umbigo à mostra, corpo bamboleante, muitas delas estudantes da Escola Comercial, da Escola Industrial e da Secundária Josina Machel. No início da noite, as jovens trabalhadoras do sexo que se postam na Avenida Mao Tsé- Tung, procurando atraírem clientes.


No caso do homem, porém, há uma grande diferença no uso, pois o calção não é capaz de delinear as suas partes desonestas [região íntima], enquanto que na mulher é precisamente isto o que acontece: a peça encaixa-se perfeitamente na sua forma. O calção é igualmente aderente aos quadris e coxas, que são consideradas partes sexualmente atraentes mas com a grande variedade de tecidos com que hoje são fabricados, a peça de vestuário passou a encaixar-se as formas masculinas.



Em Moçambique, a moda brasileira do uso de calçoes justos e curtos foi anexado a imagem dos seropositivos e prostitutas, onde até teve direito a uma campanha publicitária que vinculou os calções justos à propagação do HIV. A campanha foi lançada pela Fundação para o Desenvolvimento das Comunidades (FDC), presidida por Graça Machel, viúva do ex-governante moçambicano Samora Machel e actual esposa do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela.

A mensagem do anúncio publicitário é a de que os adultos compram calções importados do Brasil – conhecidos como “Tchuna Babys” – para jovens e adolescentes com o objetivo de ganhar “favores sexuais”. As publicidades possuem frases como “Quem te dá um ‘Tchuna baby’ também te dá o HIV” e “Com o ‘tchuna baby’ também podes ser portadora do HIV”.

MEU PENSAMENTO EM TORNO DOS TCHUNA

O uso de calções curtos e justos por parte das mulheres não é novidade mas pelos homens angolanos é um facto social. A inserção do Tchuna em Angola, está ligado ao fenómeno da propagação da homossexualidade – fenómeno este que tem crescido avultadamente- onde diariamente o número tem aumentado. Não são só as mulheres que se oferecem para prestarem favores sexuais; os homens também e hoje mais do que nunca. 

Não se pense que prestam favores as mulheres e sim a indivíduos do mesmo género e esse acto é verificável nas nossas noites, o que não quer dizer que todos os que fazem uso dos Tchuna são homossexuais, devemos é ter cuidado com o que usamos e como usamos pois ainda que as nossas intensões sejam as melhores, podemos ser confundidos.

A EVOLUÇÃO: DE TCHUNA BABY PARA MEURY

‘’Amiga compra mbora é novidade!’’ disse-me uma vendedora num dos mercados da cidade ‘’ Esse calção é da Meury do videoclip do Puto Português quando ela vem do Brasil.’’

A moda agora para as mulheres não é Tchuna e sim Meury; Embora tenham origem brasileira, os Meurys foram apelidados pelo público angolano, devido ao uso de calções justos, curtos, de cintura alta e coloridos pela personagem Maria que virou Meury após uma ida ao Brasil como nos conta a música da nova revelação do Semba Puto Português.


A seguir a Meury, a cantora Canícia no seu novo videoclip Take me Higher, também faz uso deste calção (coincidentemente da mesma cor que ao usado por Meury), o que significa que a moda veio para ficar e que precisa-se com urgência fazer uma releitura do Tchuna masculino para adapta-lo e acompanhar esta nova tendência feminina. Enquanto os Tchunas estão ligados aos favores sexuais, os Meury estão ligados a futilidade que a sociedade angolana enfrenta todos os dias (angolano gosta de aparecer) o que não deixa de ter ligação com os Tchuna - impressionar ou chamar a atenção.


Mas a verdade é uma, a moda das pernas a mostra veio para ficar! 


4.8.12

Supermodelos: A prova de que todos nós fomos mal feitos


‘’As modelos de elite, as quais se aplica o termo "supermodelo", frequentemente compartilham características similares: têm grande reputação na indústria da moda, trabalham para grandes estilistas e marcas, fazem contratos e campanhas de milhões de Dólares e os seus nomes se tornam familiares ao grande público, gozando de reconhecimento mundial associado à sua profissão de modelo.  Geralmente estão nas capas de grandes revistas a nível mundial.’’




Se precisássemos de um motivo para odiar as supermodelos, encontraríamos milhões deles. 

O termo correcto, com certeza que não é odia-las e sim o estereótipo que constroem a volta delas. São as pessoas mais saudáveis do mundo e adoram tudo…

O grande sonho da maioria das mulheres é o de ter um corpo igual ao das modelos famosas, corpos bem definidos, com tudo no lugar, sem nenhuma estria, celulite ou aquele famoso ‘’pneuzinho’’.

Os corpos das modelos que aparecem nas revistas, tv´s, spots publicitários, outdoors, são sempre perfeitos e esculturais, fazendo com que muitas pessoas os idealizem como os corpos ideais, e por isso vão à busca dessa perfeição, cometendo por vezes algumas loucuras e acabam por não ingerir as proteínas e vitaminas necessárias e ficam horas e horas sem comer.

E QUANDO ENGRAVIDAMOS…
Custa crer quando meses após darem a luz, como por milagre, as modelos retornam a sua boa forma corporal e geralmente aparecem melhor do que nunca.

Sem contar com as que engravidam e nem um grama aparente engordam (não sei dizer se não engordam aos nossos olhos por serem tão magras que uns quilinhos a mais nem notamos ou se por magia não engordam mesmo).



Como pessoas normais que somos, se engravidarmos é o fim da picada!
Toda a gordura que não tínhamos aparece, é a barriga que não volta a sua forma original, é a celulite que aparece, bochechas aumentam saídas lá de Nárnia… enfim, é o fim!

Buscamos todos os santos milagreiros, experimentamos todas as receitas caseiras do mundo, vamos ao ginásio, compramos todas as cintas que os spots publicitários nos apresentam como a melhor solução para o nosso problema e elas… Aparecem lindas e maravilhosas!

EU NÃO COMO MUITO MAS ESTOU A ENGORDAR. AS MINHAS AMIGAS DIZEM QUE É DO STRESS

Mas será que estas ditas supermodelos são as mais zen a face da terra? Porquê que elas também não engordam?

O MEU NAMORADO/ MARIDO DIZ-ME QUE NÃO GOSTA DE MULHERES MAGRAS E QUE GOSTA DE CARNE, DIZ QUE NÃO TEM GRAÇA SEGURAR OSSOS

Vou fingir que acredito, mas verdade seja dita, todo o homem gostaria de desfilar por aí com uma Gisele Bundchen mas como são poucas as Gisele, toca a guardar o sonho estampado nos posters nas paredes do quarto (para os adolescentes) ou imagens no telemóvel (para grande parte dos jovens), ou até mesmo (para a maioria dos homens) suspirarem em silêncio, cada vez que uma campanha publicitária recheada de modelos passa pela tv.


FUI A UMA LOJA HOJE E ENCONTREI UM VESTIDO MARAVILHOSO IGUALZINHO AO DA MARIA BORGES E QUIS LOGO COMPRAR

Para a minha sorte, havia lá o meu número, mas para o meu azar não ficou-me nada bem, via-se logo que foi mesmo feito para elas (modelos) já que eu como mortal que sou fiquei simplesmente sem graça dentro daquele maravilhoso vestido pois ele exigia um corpo bem definido.

 A SOLUÇÃO MAIS APLAUSÍVEL

A alimentação é um requisito muito importante para manter o corpo em forma e saudável sem exagerar nos açucares e nas gorduras, e comendo os alimentos certos, o corpo agradece, e além de comer os alimentos certos é necessário comer na hora certa também o ideal é comer de três em três horas em poucas quantidades, e alimentos saudáveis, evitando alimentos com alto teor de gordura, de preferência frutas, bolachas de água e sal, torradas, verduras, e coma sempre em poucas quantidades, outra dica é sempre praticar actividades físicas.

MAIS MOTIVOS?

Existirão sempre motivos para odia-las e teremos que viver com a imagem delas, até que a indústria da moda mude de padrão. Saídas de contos de fadas ou não, elas serão sempre lindas, terão a melhor pele do Universo, vestirão as melhores roupas, terão a maquilhagem mais bonita e estarão sempre in. 

O segredo é com toda a certeza é gostarmos de nós tal e qual como somos e sabermos respeitar as diferenças. Feliz delas que foram abençoadas com um belo corpo mas aplausos para você que foi abençoada com uma boa mente (o que não significa que elas também não tenham, existem milhares de modelos in formadas e muito inteligentes – dá até dor de cotovelo, parecem perfeitas). 

Em Angola também temos as nossas supermodelos, não são conhecidas mundialmente mas têm caminhado para lá chegarem, embora o caminho seja árduo e destronar a última supermodelo (Gisele Bundchen) não é tarefa fácil.

Lindas e maravilhosas as ‘’nossas supermodelos’’ a nossa moda, esbanjam beleza por tudo quanto é canto mas verdade seja dita, eu nunca irei adora-las! 

31.3.12

Quando A Gordura Ainda É Formosura


A muito que gordura não é formosura e cada vez mais a magreza torna-se sinónimo de fineza e isto não é de hoje, remota aos anos 60, com o surgimento da modelo britânica Twiggy, considerada a primeira top model do mundo com sua imagem quase andrógina, magérrima, com 1 m,67 cm de altura, pesando 42 kg e com as medidas 82-59-82, cabelos loiros muito curtos e olhos realçados com excessivas camadas de rímel nos tão bem postos cílios postiços. 


Twiggy tornou-se bastante conhecida e veio a contrapor a imagem modelo da mulher voluptuosa e sensual que prevaleceu até aos anos 50 como Marilyn Monroe.

Nos dias de hoje, esse modelo de beleza feminina tem ganhado cada vez mais adeptas mas não basta ser magérrima, tem que se ter um corpo magérrimo e bonito.

A indústria da moda vendeu uma errada ideia de que a gordura é horrível, enquanto que no Renascimento, ser redonda significava  abundância e riqueza e hoje magreza virou sinónimo de distinção social, status.

Diariamente ouvimos termos como Anorexia Nervosa, Bulimia, Drunkorexia, Diabulimia. Várias telenovelas brasileiras debatem cada vez  mais esses termos e doenças e já se sente a preocupação da sociedade quanto a esses distúrbios alimentares.

Infelizmente, algumas musas de Hollywood e entendidos em moda, desobedecem as ordens médicas e apostam nesse visual e nos maxi-emagrecimentos, não só para não perder gorduras, como também curvas, sensualidade e um look sádio e natural.

O mercado internacional da moda, vem cada vez mais mostrar um protótipo de beleza da mulher africana magra, fazendo desfilar modelos negras e de origem africana, a meu ver, para incentivar o elevado número de mulheres africanas a acatarem essa imagem como o potencial de beleza e torna-las consumistas dos seus produtos, uma vez que a mulher africana (no geral) é naturalmente voluptuosa e transmite a imagem saudável a muito perdida.

 Angola já teve a sua onda de modelos e pessoas anorécticas -  A MODA ESTÁ DE VOLTA - embora N mulheres ainda prime por uma boa ida ao ginásio para ganharem massa corporal e tonificarem os músculos para se tornarem nas tipicas ''brasileiras'' muito em voga hoje em dia.

Fala-se muito de anorexia e tudo mais, até de compulsão alimentar, inventam nome para tudo e onde ficam as mulheres ou pessoas que têm pavor a magreza mas que por natureza o são e fazem de tudo para engordar?
Será que estas não merecem a atenção da sociedade ou não apresentam nenhum motivo de preocupação?

Em Angola, tal como no resto do continente (principalmente a África Negra), mulher que é mulher tem que ter curvas e é chamada de ''boazuda''.

Eu confesso que já tive problemas em aceitar a minha magreza durante a adolescência.
Tal como as pessoas que querem a todo o custo emagrecer, eu quis a todo o custo engordar e tomei de tudo.

Estava completamente obcecada por esse padrão que a sociedade africana impõe e estive profundamente descontente comigo, com o meu corpo esguio por natureza.

Devo confessar, que a minha entrada para o mundo da moda ajudou-me a lidar com o problema.
Em parte essa imagem de ''palito'' também ajuda pessoas que encontram-se abaixo do peso a gostarem mais de si (não por ser a imagem universal padrão, mas sim por nos fazer pensar que afinal não somos as únicas e podemos a nossa maneira sermos bonitas sim!).

Eu, particularmente gosto das modelos magras, entendam MAGRAS, bem ao estilo Gisele Bunchen, Agnes Deyn, Cindy Crowford (nos seus tempos de glória), elas são lindas e tudo lhes cai bem!

Em um recorte (meu!) do semanário Agora, do dia 21 de Agosto de 2004 na página sociedade vários testemunhos de angolanas anorécticas foram publicados, de forma a desmistificar um assunto importante e ignorado na época cá no país.

A CEO de uma das maiores agências de modelos angolana,Karina Barbosa, disse para o mesmo jornal:

''Não gosto de manequins muito magras e secas. Acho deselegante, mesmo nos desfiles não fica bem e os estilistas não gostam. Nós procuramos dentro dos padrões universais adaptar ao estilo do corpo da mulher africana e angolana, que é um corpo voluptuoso. Tem de ter uma boa anca, o seu rabiosque e um peitozinho.''

Tatiana Durão, uma das ex modelos mais in da agência Step Models (angolana).


A top angolana Karina Silva, também ex modelo da Step.

Elsa Baldaia, Roberta Narciso, Sharam Dinis, Adélia Cachimano, Ludvânia Almeida, Maria borges (em ordem e nas fotos abaixo), são hoje as propostas angolanas para o mercado internacional da moda.


Elsa Baldaia, Roberta Narciso, Sharam Dinis


Adélia Cachimano, Ludvânia Almeida, Maria borges


África, estava a desligar-se desse padrão de beleza voluptuoso e pensei que com o surgimento das modelos ''PLUS SIZE'', a cena tomaria outro rumo, embora com a tentativa da estilista Prudenciana Ndayola em formar a Traços e Curvas, a cena não mudou  (embora eu ache que deveriam também apostar na internacionalização das modelos xxs) e para mim é uma pena enorme esse projecto ter morrido.


Logotipo da agência Traços e Curvas (Plus Size)


Daneia Lobo modelo Plus Size da Traços e Curvas


 Andrea Pompílio também modelo da Traços e Curvas

Em Angola, as agências precisam infelizmente deixar-se influenciar por essa imagem esguia das suas modelos para se poderem internacionalizar.


Casting para modelos grandes

Muito recentemente no país, a loja para tamanhos grandes Luanda Fashion Center, organizou um casting para modelos plus size para provar que as ''gordinhas'' também enfeitam as passarelas e que podemos sim comprar um novo refrigerante em que uma modelo plus size é a cara do spot.